sexta-feira, 15 de janeiro de 2021

O MORRO DOS VENTOS UIVANTES CHEGOU AO TOPO DOS 80 ANOS - Por Altamir Pinheiro


 









O Morro dos Ventos Uivantes, única obra da britânica Emily Bronte(morreu aos 30 anos de idade), é um dos romances mais bonitos e perturbadores que já existiu. Personagens fortes e intrigantes, Catherine e Heathcliff se tornaram quase como entidades, símbolos do amor intenso que dilacera o coração e sobrevive além do tempo e da morte. Transformada em filme, tendo como protagonistas o sombrio HEATHCLIFF (o admirável Laurence Olivier) e CATHY (a diva Merle Oberon), esta clássica história de amor sublime e paixão arrebatadora, PARADOXALMENTE, movido a ódio e vingança, tornou-se uma obra-prima do cinema, aclamada pela crítica e pelo público. Claro que o drama é geral, a dor é intensa e parece que tudo é só sofrimento, mas valeu a pena, pois levou a bela Merle Oberon a ser a eterna Cathy de Heathcliff.

 

Registros de jornais dão conta que o romance tem 34 capítulos, mas o premiadíssimo diretor William Wyler(3 oscars em 14 indicações) só utiliza 16, porém exibe o mais apaixonado enredo que poderíamos rotular de estilo shakespeariano ou shakespereano aos moldes de Romeu e Julieta às avessas. No desenrolar do filme, o ambiente sombrio e tempestuoso nos transmite um senso de mistério. Uma estória muito intensa e cativante. É uma narrativa sobre amor não correspondido e vingança.

 

O Morro dos Ventos Uivantes é colocado como o 73° maior filme do cinema americano de todos os tempos segundo o American Film Institute, também é colocado como o 15° maior romance. Foi vencedor do Oscar de 1940 na categoria de Melhor Fotografia – Preto e Branco. Em 2007, O Morro dos Ventos Uivantes foi selecionado para preservação no National Film Registry dos Estados Unidos pela Biblioteca do Congresso como sendo “culturalmente, historicamente ou esteticamente significante”.

 

A lenda exótica da atriz Merle Oberon que nasceu na Índia, como descreve seu biógrafo Michael Korda: “Ela foi uma das estrelas mais sofisticadas da década de 1930 e 40, uma sereia morena de características exóticas e olhos amendoados. Graciosa e assombrosamente bela. Em seu ápice, 1939, ela cativou o mundo no clássico romântico “O Morro dos Ventos Uivantes”, fazendo Cathy, o grande amor do Heathcliff de Laurence Olivier”.

 

O inglês Laurence Olivier que morreu aos 82 anos(1989), é considerado por muitos como o maior ator inglês de todos os tempos. Agraciado com o título de sir em 1947, Laurence Olivier foi um dos mais carismáticos atores do século XX. Sua presença em palco fascinava o público e sua credibilidade como intérprete, no drama como na comédia, proporcionou-lhe grandes êxitos na sua longa carreira. Olivier casou-se 4 vezes e sua segunda esposa foi VIVIEN LEIGH que viveu a personagem Scarlet OHara no filme E O Vento Levou. O casamento durou 21 anos.

 

Que dupla infernal!!! Que livro, que filme, que música, que atriz, que ator!!! Uma história na qual o ódio e o amor têm a mesma proporção, algo muito forte, tornando-se dramático, romântico, doce, triste e sofrível. Eles praticam um amor confuso e sombrio que mais parece obsessão, pois evidencia o lado humano de cada personagem, e lembra que nem sempre escolhemos de quem gostar, até porque a gente fica torcendo para o malvado. Mesmo assim, o filme mostra que a força do amor se mantém viva, através do ódio, do rancor, da desilusão. Definitivamente, podemos chamar O MORRO DOS VENTOS UIVANTES um tipo de romance/filme cebola. Um amor além da vida. Ou seja, além morte…

UBE (União Brasileira de Escritores) Núcleo Garanhuns tem nova Diretoria. O que é mais difícil não é escrever muito; é dizer tudo, escrevendo pouco. Júlio Dantas


 




Antes de me referir a essa grande notícia para a cultura de Garanhuns, é necessário que se faça uma pequena reflexão, sobre o que é a UBE – União Brasileira de Escritores.

A União Brasileira de Escritores (UBE) é uma sociedade fundada em 17 de janeiro de 1958, sendo a mais antiga Associação de Escritores do Brasil, com a fusão da seção paulista da Associação Brasileira de Escritores e da Sociedade Paulista de Escritores. Sucedeu à Sociedade dos Escritores Brasileiros, primeira associação profissional, fundada em 14 de março de 1942 por Mário de Andrade e Sérgio Milliet.

A seção de Pernambuco, da União Brasileira de Escritores (UBE-PE), foi fundada em 17 de janeiro de 1958, nas dependências de O Gráfico Amador, no Recife, em decorrência de uma campanha liderada pelo escritor Paulo Cavalcanti, que se tornou seu primeiro presidente. Sua primeira sede foi uma sala no Espaço Pasárgada, na Rua da União. Recebeu, inicialmente em comodato, da Prefeitura do Recife, na gestão do prefeito Gilberto Marques Paulo, um casarão na rua de Santana, 202, Casa Forte, onde instalou sua sede própria, a Casa do Escritor Pernambucano.

O primeiro fato que devemos levar em conta é que a UBE de Pernambuco hoje é a UBE Nacional, sendo o seu presidente responsável em congregar todo o Brasil e para nosso orgulho, preside a mesma o contador e escritor garanhuense José Renato Siqueira, que foi fundador e presidente da UBE – Núcleo Garanhuns, o mesmo é candidato a reeleição da UBE Nacional, agora em janeiro de 2021, quando teremos as eleições para nova diretoria. Presidente da entidade durante 10 anos, o escritor Alexandre Santos ressalta que a UBE é uma associação para quem escreve e para quem lê. "A leitura é mais do que um instrumento de entretenimento. As pessoas que leem compreendem o mundo sob outra ótica e passam a ser mais resistentes à manipulação. A leitura é a melhor forma de preservar a democracia", diz.

Em Garanhuns a UBE inaugurou seu Núcleo no dia 06 de agosto de 2016, tendo como seu primeiro presidente o Escritor, José Renato Teixeira. Em 2018 assumiu a presidência o advogado, contador e escritor Natanael de Vasconcelos Silva, que durante dois anos fez um trabalho de valorização e divulgação do escritor da cidade de Garanhuns. Participando inclusive de várias Feiras Literárias em Pernambuco e outros estados.

No dia 28 de dezembro do ano de 2020, atendendo solicitação do atual presidente e cumprindo determinação regimental, os escritores de Garanhuns se reuniram via on-line e após breve discursão foram unânimes em escolher a nova diretoria de UBE – Núcleo Garanhuns, que passou a ser composta da seguinte diretoria:

Presidente: José Eugenio Sobrinho

Vice-Presidente: Ulisses Pereira da Silva

1º Secretário: Natanael de Vasconcelos Silva

2º Secretário: Maria de Almeida Rocha

1º Tesoureiro: Sandoval Ferreira Leite

2ª Tesoureira: Terêza Cristina de Moraes Veríssimo

Diretor Social: Adevandro Alexandre de Pontes

 

Com certeza sai ganhando a cidade de Garanhuns, que vê um dos seus órgãos de cultura crescendo e se preparando para, mesmo com essa pandemia, levar mais longe o nome da nossa cidade. Parabéns, e a certeza que o trabalho de respeito e valorização às letras continua em boas mãos, com a juventude, dinamismo e inteligência do professor Eugenio Sobrinho e toda a sua equipe.

 

Prof. Albérico Luiz Fernandes Vilela

Membro da Academia Pernambucana de Educadores

Membro da União Brasileira de Escritores

Membro do Lions Club Internacional

Diretor Pedagógico da UNIC – Universidade da Criança

Palestrante da Área de Educação


quarta-feira, 13 de janeiro de 2021

PERNAMBUCO E O BRASIL COMEMORAM OS 195 ANOS DO SEU PRIMEIRO LICEU - Manoel Neto Teixeira


 





                 


Este primeiro de setembro de 2020 é uma data emblemática na história de Pernambuco e do Brasil: festejamos os 195 anos de fundação do Liceu/Ginásio Pernambucano, primeira instituição de ensino público da América Latina, cujos corpos discente e docente foram compostos, ao longo dos séculos XIX e XX, de personagens de relevo da política, do magistério, da magistratura, da literatura, do jornalismo, das artes e do empresariado do nosso país.

            Todos os aspectos dessa história e seus personagens são narrados e descritos, em linguagem objetiva, pelo jornalista e historiador Manoel Neto Teixeira no livro sob o título LICEU/GINÁSIO PERNAMBUCANO (Referência no Passado e no Presente-1825-2020), que estará nas livrarias de todo o Brasil a partir dessa data, marcante sobremaneira para o ensino público na região e no Brasil. A obra compõe-se de dezenas de capítulos distribuídos por 250 páginas, narrando desde a fundação, os primeiros passos, a denominação inicial de Liceu Provincial, seu primeiro diretor, frei Miguel do Sacramento Lopes Gama, que fez história no jornalismo da época ao criar e editar o famoso jornal “O Carapuceiro”.

            A obra é prefaciada pelo desembargador e escritor Jones Figueiredo Alves, contemporâneo de estudos do autor, desde o Colégio Diocesano de Garanhuns, anos 60, até a Faculdade de Jornalismo da Universidade Católica de Pernambuco, componentes que foram da turma de 1968. No Prólogo de sua obra o escritor Manoel Neto Teixeira, autor de outros títulos, a exemplo de PINTO FERREIRA – VIDA E OBRA, prêmio da Academia Pernambucana de Letras, categoria Ensaio, edição 2010, salienta, entre outros pontos:

              “Reunimos nesta publicação, desde a sua fundação até o corrente século, os principais fatos, personagens e decisões na vida e história, as mudança de sedes e de nomes (Liceu/Ginásio/Instituto/Colégio/Ginásio), o alto nível dos seus corpos docente/discente, a bandeira do ensino de referência, com os seus contingentes de cerca de 700 alunos em tempo integral em cada uma das suas sedes - Rua da Aurora e Av. Cruz Cabugá”.

            Entre os fatos marcantes das primeiras décadas na vida dessa instituição figura a visita oficial do imperador do Brasil, à época, Dom Pedro-II, naquela manhã do dia 09 de dezembro de 1859, bem como a criação do primeiro Museu de História Natural do Brasil, em 1855, pelas mãos do professor e pesquisador francês Louis Jacques Brunet. Também o sonho da sede própria, cuja pedra fundamental fora lançada em 1855 e inaugurada em dezembro de 1866, situada na Rua da Aurora, onde permanece até hoje, frente para o Rio Capibaribe, com toda a sua imponência.

            No capítulo sobre as celebridades que passaram pelos seus corpos discente e docente, o autor relaciona Epitácio Pessoa, presidente do Brasil de 1919 a 1922; Agamenon Magalhães, ministro e governador de Pernambuco; Cid Feijó Sampaio, governador de Pernambuco; Joaquim Francisco, prefeito do Recife e governador do Estado; Augusto Lucena e Pelópidas Silveira, prefeitos do Recife (na seara política). No campo da literatura, entre seus alunos, figuraram Ariano Suassuna, Clarice Lispector; componentes do corpo docente, Olívio Montenegro, Lucilo Varejão Filho, Ulisses Pernambucano, Adauto Pontes, Manuel Correia de Andrade, Amaro Quintas, Bernadette Pedrosa, Geraldo Calábria Lapenda, frei Romeu Peréa, Lucilo Varejão Neto, entre outros.

            O autor dedica um capítulo aos alunos que marcaram época nas décadas de 60/70 do século XX, sob o título “Corrente de Resistência Política”. Perseguidos pelos comandantes do golpe de 64, por se manifestarem contra, alguns desaparecidos, como Fernando Santa Cruz, frei Tito de Alencar; outros que permanecem vivos contando a história, Marcelo Santa Cruz, José Arnaldo, ex-prefeito de Oinda, Marcelo Mário Melo, Paulo Pontes, Edval Nunes Cajá, Roberto Franca, entre outros.

            Nesse capítulo o autor registra ainda o perfil do professor Milton de Oliveira Santos, pai da atual vice-governadora de Pernambuco, Luciana Santos. Ele que mereceu, por iniciativa do deputado Alberto Feitosa, homenagem póstuma dando o seu nome ao Terminal Integrado de Passageiros da PE-15, através da lei ordinária 13713/2008. O professor Milton de Oliveira Santos foi um militante do Partido Comunista do Brasil.

            O jornalista Manoel Neto Teixeira conclui a sua obra narrando o desdobramento, em duas sedes, do Ginásio Pernambucano, da Rua da Aurora e a da Av. Cruz Cabugá, esta idealizada e inaugurada pelo então governador Eduardo Campos, em 2012. 

CADÊ O RAIO DE SOL? - Edmilson Vieira, designer




Este textinho é para você que não teve a oportunidade de assistir ao espetáculo do Circo Raio de Sol, da cidade de Garanhuns.

Tivesse você visto alguma apresentação dessa trupe, seguro que iria morrer de rir com a turma louca se apresentando no picadeiro.

Considere que ele era o irmão pobre caçula do Cirque du Soleil. Os dois foram feitos para encantar, mas o circo Tomara Que Não Chova, de Garanhuns, era uma terapia de gargalhada para as famílias pobres da periferia.

O destino desse circo foi fechar as portas ou melhor, arriar as lonas. Você bem sabe, as cidades pequenas foram asfaltadas e aí só sobraram os lixões e outros locais inapropriados para eles montarem suas empanadas.  

chegou a TV, a Internet, e as pessoas preferiam ver online do que registrar a alegria ao vivo. Os circos foram acometidos também pelo descaso dos políticos irresponsáveis. 

Através do voto, elegemos muita gente aculturada pra destruir a nossa cultura popular.  Com isso, o povo brasileiro parece que perde a sua identidade a cada dia e a cada pandemia.

Digo isso e vejo que a beleza do Circo Raio de Sol-RISO permanece na minha mente como algo de qualidade na arte circense.

E vale a pena relembrar que eles tinham o dom do humor para resolver qualquer parada no palco. Preocupação com isso ou aquilo? Passando nesse circo, você sairia leve; iria atingir o seu ponto de equilíbrio com as coisas boas da vida.

A trajetória do Raio de Sol acabou, mas a performance multifacetada daqueles artistas vai permanecer na memória da gente como um ícone inesquecível da magia do picadeiro.

 

E viva o circo!

segunda-feira, 4 de janeiro de 2021

A BESTA TRIUNFANTE - "voltando pra casa" X


                                         


                              






A cada hora

que o tempo muda

Ó Paulo, fazeis

outra pergunta

 

está na moda

agora, amanhã talvez

não. Que importa

 

qualquer resposta

à vossa dúvida ?

Ainda que saiba

 

a gente, a verdade

que pede a ocasião,

vestido a caráter,

 

a Esfinge pela mão,

consinta a passagem

para a casa do mês

 

a chave

da vez.










ENTREGA Érika poetisa











Amanheceu desvendando frestas de fios rendados

no âmago do coração

percorreu o medo e o fogo

desafiou gigantes

tomou banho de tempestade

esvaziou sentimentos

expandiu diálogos internos

Jogou sutilezas no aroma

de outros olhares

anjo e profana

revirou o mundo

retalhou o coração com canções e agulhas

Só não perdeu a essência da alma

que é terna e mansa

como o anoitecer dos sertões banhados de lavanda.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2020

O Natal

                                                                       


 Quando, finalmente, cheguei em casa, sentei e depois fechei a porta. Saí um pouco para olhar a noite, na verdade, a madrugada de Natal. Soprava um vento leste fraco e algo frio, desses do altiplano da Borborema, no verão. Perto, as luzes algo coloridas e importadas. Carros defronte as casas. Risadas altas podiam ser escutadas, um pouco de música, o chiar de um rojão fora de hora... Na avenida, bares fechados, poucas pessoas na via e alguns veículos. Olhei o céu e imaginei que, mesmo onde houvesse uma guerra, àquela hora seria de trégua. Assim, do vigia no convés do transatlântico que avança, ao monge na torre dos contrafortes do Himalaia, pensei haver Paz! Ouvi um bipe...e mais outro... Achei que o sinal repetido dos monitores e ventiladores da UTI vieram até os meus já mortificados ouvidos. Mortificados sim! De fato, habituados aos gritos de dor e ao choro, eles e meus também olhos, abertos por tantas noites, me trouxeram o som da pandemia. Soprou então um vento mais forte e quase gelado. Entrei e fechei a porta. Deixei a sala à meia-luz. Já no quarto, deitei e olhei para o teto, que encheu-se de fantasmas de outros Natais. Amigos, pacientes, parentes que partiram. Depois tudo foi ficando em harmonia. Não tive pressa na ave-maria. Lembrei que há estudados 2020 anos, Ele nasceu! Eu poderia até pintar a cena, se eu pintasse. Pensei, chega de imaginação por hora! Lembrei do último abraço da noite... dos meus pais velhinhos, dos meus irmãos distantes e quase falei baixo: parabéns Jesus! Estamos vivos, no Natal. Feliz Natal! 

Garanhuns-PE, 25 de dezembro de 2020, 02:30h. Ulisses Pereira ✍ Médico