sexta-feira, 30 de outubro de 2020

Tudo e Nada - Deda Miranda


 






Tudo é nada, no mundo o nada é tudo

porque tudo do nada foi tirado,

e ao nada tudo é transformado,

quando um dia volverá ao nada tudo.

Poder e mando, tudo isso é nada

tristeza e dor, nada disso é tudo,

muita gente sem ser nada quer ser tudo

quando tudo neste mundo veio do nada.

Toda alegria se transforma em nada,

nada é a vida, e a morte é tudo

que nos resta, ou quase nada.

Nada de ilusões, quimera é tudo.

Lembra-te de tudo isso, não és nada,

e ao nada voltarás apesar de tudo.

O jornal

São 25 anos do jornal O Século. Impresso, com 16 páginas, como na última edição, de fevereiro desse ano desastroso. Circulando, incialmente em Garanhuns, PE, e chegando a diversas cidades do País. E com colaboradores ilustres, do Paraná principalmente, onde o mensário teve apoio e encaminhamentos do escritor José Alexandre Saraiva. A crise da Pandemia veio interromper, também, a edição nesses 8 meses. Agora, volta em forma de Blog, como é possível. Não se descarta, contudo, a retomada no próximo ano, de sua costumeira apresentação. E a direção deste veículo de cultura encarece a compreensão de todos afeiçoados participantes e leitores. Aos patrocinadores, o Muito Obrigado, de sempre.

A CIDADE CONDENA-ME: METADE! - ARRIETE RANGEL DE ABREU


 

  








Na sobra raiz, fendas 
desenham-me:
Expostos. os vincos revelam
dores - navalha na carne! 
Cicatrização, 
na metade em que; 
SOBREVIVI!

DEUS É VERDADEIRO POETA, EU SOU O VENTRÍLOQUO DA MUSA. - José Aparecido Fiori



 








Realmente, o realejo envelheceu, não caiu de moda, se cair, vira souvenir. Na condição de ventríloquo da musa, prosélito da prosa, procurador da poesia, sirvo-me deste espaço para mostrar o que eu toco na velha lira que soluça nas vielas dos versos, na alameda do poema, na sarjeta da boemia.

Tenho por mim que a poesia é a ciência consciente up to date da mitologia. Pelo viés da imaginação o poeta canta seus mitos, o cientista joga dados com Deus. O cientista fala por dogmas e paradigmas, o poeta desvela, desmistifica, autentica, homologa o mito. O cientista materializa o espírito. O poeta espiritualiza a matéria. O poeta é platônico. O cientista é aristotélico. O poeta é plástico. O cientista é granítico. O poeta finge tão completamente, que chega a fingir a dor que deveras sente. O cientista finge tão completamente, que esfinge frugalmente. O poeta aprofunda o mistério do mito. O cientista desmistifica o fato. O poeta irradia o ser. O cientista radiologiza o não-ser. O cientista analisa. O poeta psicanalisa. O poeta é holístico. O cientista é sintético. O poeta enxerga o Um na multiplicidade. O cientista enxerga a multiplicidade no Um. O cientista é amigo do Rei. O poeta é amigo de Deus.

Poesia é um combate que aos fracos abate. É luta que luto. É coisa de louco alienado em anacoluto.

Nicho inócuo absoluto de inutensílios úteis, inutilidades fúteis.

Trova popular, beijos de batom no guardanapo, cachaça no bar, arrotos de tripas gástricas, riscos gráficos, rabiscos coronariográficos, barbarismos orais bárbaros, diarreias boçais, vômitos anais, quinquilharias venais, versos, verborréias, prosas de vodkas da Vó Tivica, cantadas da Gilda, chorinho da Maria do Cavaquinho, bafos de onça do Esmaga. Escritos adornados de adereços de lambrequim, tudo isso, nada disso, banalidades, maldades, nulidades, bosta navegando na ubiquidade.


O Século está de volta – e de cara nova! - José Alexandre Saraiva

 









A última etapa das pesquisas para o meu livro De Labiata a Lagoa da Canoa, em 2016, foi marcada pela acolhida que tive em Garanhuns, a Cidade das Flores, também conhecida como Suíça Pernambucana. Permaneci 20 dias entre as Sete Colinas da terra de Simôa Gomes, Dominguinhos, Luís Jardim, Quinteto Violado e João Marques. Escritor, músico e poeta, João Marques é o autor do hino de Garanhuns e proprietário do jornal O Século, por ele fundado em 1995. Desde o nosso primeiro encontro, não deixamos mais de nos falar quase todos os dias, principalmente a partir de seu convite, em 2018, para ser o jornalista responsável pelo jornal.

Lamentavelmente, com a pandemia do novo coronavírus, O Século suspendeu sua edição impressa. Um golpe para todos nós! Mas isso não foi suficiente para abalar a determinação de, o quanto antes, fazer o jornal circular novamente. E com o mesmo conteúdo voltado à cultura, à sociedade e à saúde, em grande parte constituído de artigos assinados por colaboradores criteriosamente selecionados. Enquanto isso não acontece, e atendendo a inúmeros pedidos, esta semana O Século modernizou-se! Entrou no vasto e dinâmico mundo da internet, em forma de blog, cuja implantação contou com a abnegada colaboração da articulista cultural Jaqueline Salomé. É um retorno triunfal do jornal, porquanto demonstra que o seu proprietário, não obstante as dificuldades de retomada de antigos e novos patrocínios, em nenhum momento deixou de acreditar numa solução que, em breve espaço de tempo, conciliasse custo operacional e conteúdo afinado com as exigências de seu exigente universo de leitores.

Estou duplamente feliz. Primeiro, porque O Século está de volta – e de cara nova para versão digital! segundo, porque, simultaneamente, recebo de seu idealizador e proprietário a notícia de que seu primeiro romance, “euHerói”, atualmente no prelo, será lançamento no início de 2021. Trata-se de um romance memorialista fantástico, desenvolvido num cenário em que a imaginação buliçosa do autor navega entre fantasia e realidade para realçar entranhas da entidade humana. Destaco este excerto extraído do prefácio que tive a elevada honra de escrever sobre “euHerói”: 

“Valendo-se de magistral concepção narrativa, o escritor João Marques transmuda-se em uma Avenida para explorar conflitos existenciais, vicissitudes e contrastes entre vida pública e intimidade das personagens.  Nessa condição, ele é autor, narrador, protagonista e a própria Avenida, que, ora na horizontal, ora na vertical, assume papel de senhora absoluta dos recônditos entre existência e inexistência, compreendidos no espaço e no tempo. Onipresente, ora estendida no chão, ora em movimento, a Avenida tudo sente, ouve e vê, além de casas, vitrines, trens, mendigos, árvores, céus, vento e zumbis no Cemitério Morto”. 

quarta-feira, 28 de outubro de 2020

Canto a Panelas - Biu Difulô


 







NOSSO SANGUE É CABANO

TEMOS NA VEIA MUITO ARDOR

NOSSOS PUNHOS ESPARTANOS

NUNCA TEMERAM O INVASOR

...


NOSSOS BRIOS DE GUERREIRO

QUE A HISTÓRIA JÁ PROVOU

JAMAIS SE VENDEM À TIRANIA - JAMAIS!

TÊM VIRTUDE E ESPLENDOR.

Aline Morena e os destaques das principais realizações.


 












Apresentação em duo com Hermeto Pascoal pelo Brasil e pelo mundo (Montevideo, Buenos Aires, Portugal, Itália, Brasília, Salvador, Chapada dos Guimarães, Quito, São Paulo, Rio, Caracas, Vitória, Punta Ballena...), sendo a última em Alter do Chão, no Pará, em 2015.

Apresentação com Hermeto Pascoal e a Big Band de Londres no Barbican, em Londres, por três vezes, além de outras apresentações com big band em Cheltenham, Norwich, Dublin, Rio de Janeiro, Campinas, Toulouse e Toronto.

Apresentações com Hermeto Pascoal e Grupo até julho de 2016, por todo o Brasil e pelo mundo, como New York, Chicago, Seattle, San Francisco, Los Angeles, Fort de France, Eilat (Israel), Joanesburgo,Austrália, Manaus, Fortaleza, Recife, Paranapiacaba, Goiânia, Guarulhos, Pelotas, Poa, Ouro Preto, ...

Espetáculo “O Amor em Música e Dança’, o Teatro Paiol, em Curitiba, em 2016.

Apresentação de “A História Musicada do Menino Sinhô Hermeto Pascoal” desde 2018, contando a história do Hermeto, através de instrumentos convencionais e não- convencionais, juntamente com o Palhaço Propício.

 Espetáculo “O Desconcerto Musical”, de música com palhaçaria, juntamente com o palhaço Propício, cuja estreia se deu em maio de 2019, no Auditório Brasílio Itiberê.

 PRÊMIOS RECEBIDOS E TÍTULOS

Primeiro lugar no concurso para cantores do Conservatório de MPB de Curitiba em 2002, quando realizou o show “Hermeto em Voz para Dançar”!

Artista revelação pelo blog do jornalista e produtor Arnaldo De Souteiro em 2007, pelo dvd “Chimarrão com Rapadura”.

Artista revelação pela Disk Union do Japão em 2014, pelo cd “Sensações”. t

Essa gigante da música, gaúcha vivendo em Curitiba, tornou-se recentemente colaboradora e participante deste jornal, graças a intermediação do escritor José Alexandre Saraiva. João Marques, titular e redator de O Século, manifesta grande alegria pela valorosa e honrosa aquisição.