A árvore de natal florescerá realmente, no futuro. Decorrerão tempos, para que isso aconteça. Enquanto o ódio e a perseguição pela inveja, o egoísmo pela posse, a falta de valorização da vida de todos prevalecerem, não florescerá. Contudo, essa árvore pode ser logo arrumada no interior de cada ser humano. A alma é capaz de comportar o artefato, de forma plena. Dos galhos, penderão desprendimentos pelo amor verdadeiro, folhas luminosas da conduta sábia e simples, cores da alegria pela existência. E, na noite de natal, essa árvore antecipada terá, de enfeite, os melhores pomos e presentes. E aí, de tanta felicidade, até as estrelas do céu se quedarão, para contemplar o brilho de cá, da festa. Feliz natal!
quarta-feira, 16 de dezembro de 2020
ENTÃO É NATAL NO ANO DE 2020 . O Natal, crianças, não é uma data. É um estado de espírito. Mary Ellen Chase
Caros amigos! Caras amigas! Quantas e quantas vezes vivemos essa data tão marcante? E o mais interessante é que em cada época teve um significado em nossa vida. Desde os longínquos natais na casa dos nossos avós, os parquinhos com brinquedos inocentes, como o carrossel, imagine empurrado a mão, com um sanfoneiro dando o ritmo da velocidade, a canoa, a “pequena” roda gigante, a pescaria, o passeio no centro da cidade e tantas coisas inesquecíveis, aos mais recentes, onde as estruturas são quase espaciais e a tecnologia fala mais alto que a imaginação das crianças. Ouso perguntar e responder: Qual o melhor? Não teve melhor nem pior, todos foram bons, com suas características, seus valores e os interesses de cada época.
Estamos nos preparando para um novo natal! Sem abraço, sem beijos, sem festas. Com restrições até nas atitudes. Até os nossos rostos terão que ser escondidos pelas máscaras e o cheiro predominante do champanhe será trocado pelo odor forte do álcool. Mas, em 2020 teremos natal sim! Mais distante, sem as viagens, nem as grandes festas familiares. Até as celebrações religiosas serão com menos gente. Outra coisa, não esqueçamos que, além da crise sanitária, há também uma financeira. Mas, temos que viver e fazer desse momento uma mudança de cobrança política, determinação por um tempo melhor e, acima de tudo, que esse vírus sirva para chegarmos nas comemorações com espírito melhor, homens com novos ideais e um coração muito mais puro.
Mas, somos humanos pensantes e inteligentes, devemos ver as coisas boas que aconteceram na história da humanidade, nesse ano de 2020. Vejamos algumas notícias que passaram despercebidas até pela grande mídia:
• Durante o confinamento na Índia, milhares de tartarugas marinhas colocaram mais de 60 milhões de ovos, o que não acontecia há muito tempo. A própria natureza, percebendo que o homem deixou de intervir negativamente, reagiu de forma positiva.
• Pandas que vivem em um zoológico de Hong Kong finalmente conseguiram acasalar depois de anos de tentativas frustradas.
• Mais de 1 milhão de pessoas deixaram de fumar no Reino Unido. Vejam que foi só no Reino Unido. Pensando no futuro quanto a saúde do mundo vai ganhar.
• As emissões de gás carbônico nunca foram tão baixas desde a 2ª Guerra Mundial. Melhorando, com isso, a qualidade do ar e do oxigênio na vida das pessoas e, também a saúde, diminuindo, principalmente, as doenças pulmonares.
• Pela primeira vez na história da humanidade, cientistas do mundo inteiro estiveram focados em resolver um único problema. Homens e mulheres inteligentes passaram o ano com um único foco, independente do credo, cor ou raça. Nunca tantos se preocuparam com o bem da humanidade.
• O veterano de guerra Tom Moore – de 99 anos, arrecadou mais de 22 milhões de dólares para o serviço nacional de saúde de seu país ao dar 100 voltas completas em seu jardim, mostrando que a idade não é impedimento para se tomar atitudes.
• As pessoas nunca adotaram tantos animais de estimação como agora. Mais uma vez a integração da natureza com o humano. O respeito aos animais. Um ano que foi difícil conseguiu amolecer o coração dos homens em todos os sentidos.
• Crianças do mundo inteiro colocaram imagens de arco-íris em suas janelas com a mensagem: “Após a tempestade, vem o arco-íris”. A pandemia atingiu, em todos os sentidos, todas as idades. A humanidade se preocupou com o planeta e com o próximo. As crianças foram envolvidas nesse processo de fazer um mundo melhor.
• E como não poderia deixar de ser, a educação mudou rapidamente, professores e alunos se adaptaram às mudanças e colocaram em prática um novo ensino. Os computadores anteciparam a sua participação na vida educacional de todos. E assim, o novo normal teve na educação o seu principal elemento de transformação, para viver esse momento nunca esperado.
Então, meus caros leitores, teremos sim um natal em 2020! E não vamos pensar só na grande tristeza de tantas perdas de perto e de longe. Sofremos, mas aprendemos. Perdemos, mas ganhamos na aprendizagem e na humanização do ser vivo, na luta harmônica para vencer um vírus mortal e desconhecido. E sairemos mais fortes e esperançosos para recebermos 2021. Que ele traga força, amor, esperança e que tenhamos coragem de repetir a frase milenar: FELIZ NATAL!
Prof. Albérico Luiz Fernandes Vilela
Membro da Academia Pernambucana de Educadores
Membro da União Brasileira de Escritores
Membro do Lions Club Internacional
Diretor Pedagógico da UNIC – Universidade da Criança
Palestrante da Área de Educação
prof.alberico@gmail.com
quarta-feira, 9 de dezembro de 2020
A TECELÃ DO COSMOS Tonicato Miranda para Malita Miranda
Salve mãe das águas, da terra e do
céu
Você tece bondade como a abelha faz o
mel
Teça o siso nos homens, o riso nas
crianças
Com a agulha ponteia
todos com paciências
Emenda a amargura dos humanos entre
nós
Vá tecendo o silêncio com pitadas de
canto e voz
Mas não se esqueça de desenhar no
tricô, o farol
Mostra a fúria das
águas quebrando no atol
O vento desmancha a ousadia dos
homens
Tudo vira água, a subir como vapor às
nuvens
Você sabe disto, e sabe ainda muito mais
Fiandeira experiente
confia nos animais
Porque sabe controlar toda a
destemperança
Alimentar a humanidade de
verde-esperança
Mas se
faltar a lã do novelo, continua a tecer
Teça pensamentos calados, nada é pra esquecer
Eles
passarão de uma cabeça a outra cabeça
E aquela com
outra agulha fará tudo renascer
Terá sido
criado o dom do cosmos, não do diabo
Sobre mães e tarrafas
para a mãe Malita
você, eterna figurinha
do meu álbum de vida
uma velhinha só minha
é meu vinho, a bebida
quanto mais envelhece
melhor fica na garrafa
melhor comigo parece
é o barco, minha tarrafa
onde lançar, peixe virá
às vezes virão surpresas
latas, cordas e um colar
alegrias em contas presas
tudo a nos fazer mais amar
na doçura da boa receita
um doce de coco e manjar
comida sempre bem feita
a nos servir como marajás
o que dizer do tricô e os fios
nos sapatinhos de lã grossa
protegendo os pés dos frios
aquecedor que nos enrosca
ah! malita, jogue sua tarrafa
me aprisiona, me envolva
reza uma oração à Fátima
a grande distância dissolva
Síndrome de Down Estratégias e atividades para ajudar na aprendizagem - Ana Carla Santos - Garanhuns
A
síndrome de Down ou trissomia do
cromossomo 21 é uma condição genética que leva a características físicas
singulares e predisposição a algumas doenças. Ela é causada por um cromossomo
extra no par 21.
As
crianças com SD podem ter atraso no desenvolvimento, dificuldade de aprendizagem,
atraso de fala, aumento de peso, deficiência intelectual ou dificuldade em
pensar e compreender.
Embora
apresentem deficiências intelectuais e de aprendizado, pessoas com síndrome de
Down têm personalidade única, estabelecem boa comunicação. Quanto maior o
estímulo dado a essas crianças durante a infância, menor o grau de presença dos
sintomas.
O suporte oferecido para as crianças com SD deve ser pensado
de forma individualizada, ou seja, de acordo com o perfil e dificuldades comportamentais
e cognitivas de cada criança.
Estratégias e atividades para ajudar na aprendizagem da
criança:
·
Adaptar o conteúdo ao nível
de conhecimento da criança;
·
Usar linguagem simples e
clara;
·
Usar gestos e imagens para facilitar
a compreensão;
·
Leitura, manuseio de álbuns,
contação de histórias, atividades relacionadas a música, jogos e brincadeiras em família são muito
proveitosas;
·
Aproveitar as capacidades
atuais da criança, preparando-a assim para atingir atividades mais complexas.
As atividades motoras serão indispensáveis;
·
Oferecer atividades para o
fortalecimento do pulso e dedos, como por exemplo: alinhavar, seguir tracinhos
com o lápis, desenhar, separar, cortar, apertar, construir, etc;
·
Trabalhar a escrita das
letras em um tamanho maior;
·
Usar lápis mais grossos ou
adaptadores “apoio para os dedos”;
·
Usar um grande leque de
atividades e materiais multissensoriais.
A equipe multidisciplinar é muito importante para o
desenvolvimento da criança.
Ana Carla Santos
Psicopedagoga – CRPp
sindical: 523
Neuropsicopedagoga
Seus cachorros! William Santiago
William Santiago
Velhos tempos... Belos dias... Luiz Gonzaga de Mattos
Mexendo numa mala cheia de
fotos antigas, lembranças de momentos da minha família, encontrei um convite
amarelecido pelo tempo. Certamente dos distantes anos do início da década de
60. Era o convite para um baile no pequeno clube da cidade de Sengés, no
interior do Paraná. Assim, como num tapete voador das histórias das Mil e Uma e
Noites, viajei no tempo. Para animar meus devaneios liguei o som, com The
Platters cantando Only you... e me senti dançando
pelo pequeno salão do Olímpico.
Luiz Gonzaga de Mattos
JOSÉ BRASILEIREO VILANOVA E A LITERATURA NO BRASIL COLONIAL (III) - Manoel Neto Teixeira
O escritor e filólogo pernambucano
José Brasileiro Vilanova, na sua obra A
Literatura no Brasil Colonial, editora Universitária (UFPE), edição 1977,
informa que do ponto de vista literário o século XVIII apresenta duas fases
distintas: na primeira, predomina o academicismo inspirado no mecenatismo
oficial português; na segunda, prevalece a reação neoclássica, de oposição ao
barroquismo, representada principalmente pelos poetas do chamado “Grupo
Mineiro”.
Mais da metade desse século
caracteriza-se pelo prolongamento do espírito barroco e encontra nas Academias
Literárias sua legítima forma de expressão. Pouco importa que elas tenham tido
existência efêmera. Reunia intelectuais dissociados por atividades
profissionais diferentes, orientando as pesquisas históricas e incentivando as
produções poéticas, que evidenciam o espírito literário ainda do Brasil
colonial.
Diz a mesma fonte que as composições
em versos não vão além dos jogos de palavras, quase sempre artificiais ditadas
sobretudo pelo desejo de vanglória e bajulação, principalmente relacionadas com
figuras do status quo. Coube aos
trabalhos, nascidos do academicismo, a ampliação desses limites, abarcando a
vida política, religiosa, militar, genealógica e literária da Colônia.
“A partir da publicação das Obras Poéticas de Cláudio Manuel da
Costa, em 1768 – diz Brasileiro Vilanova - e da fundação da Arcádia Ultramarina,
é manifesta a reação neoclássica, tentativa de volta às fontes mais puras do
classicismo. Adota-se, então, nova concepção estética, em que a simplicidade e
a espontaneidade são elementos dominantes. Por isto mesmo - acrescenta - a vida
e os seus problemas já não se prestam para divagações sutis da inteligência.
Também a observação da realidade já não será usada como elemento capaz de
impressionar os sentidos ou despertar imagens sensoriais. Procura-se, ao
contrário, integrar o homem na natureza, possibilitando sua identificação com o
meio em que vive e as coisas que o cercam”.
O retorno da literatura às fontes
primitivas do classicismo explica a preferência pela poesia épica, satírica e
pelo lirismo, não raro, de sentido moralizante, praticados no Brasil na segunda
metade do século XVIII, acrescenta a mesma fonte.
Chega o tempo das Academias
Literárias, já existentes em países europeus, desde o século XV. Em Portugal,
surgiriam a partir do século XVII, destacando-se a dos Singulares, a dos Generosos e
a dos Anônimos. No Brasil colonial,
somente vão aparecer a partir do século XVIII, e tinham caráter oficial e eram
de caráter metropolitano. Despertariam o interesse pelos estudos históricos,
literários e dos problemas sociais.
A primeira Academia Literária foi
fundada na Bahia, em 1724, e recebeu a denominação de Academia Brasileira dos Esquecidos. Seu fundador foi o vice-rei
Vasco Fernandes de Menezes, o qual, “para dar a conhecer os talentos que nesta
província floresceu, e por falta de exercícios literários, estavam como
desconhecidos, determinou instituir uma academia. Durou apenas um ano e teve
como principais sócios e fundadores e coronel Sebastião da Rocha Pita, o padre
Gonçalo Soares da França, o dr. Inácio Figueiredo e Luiz de Siqueira da Gama.
Essa academia chega a planejar o estudo da história do Brasil em quatro partes:
natural, militar, eclesiástica e política.
A segunda academia teria surgido no
Rio de Janeiro, em 1736, sob a denominação de Felizes, que funcionaria até
1740. Compunha-se de trinta sócios. Também sediada no Rio de Janeiro foi a
Academia dos Seletos, em 1752, com o
objetivo expresso de homenagear Gomes Freire de Andrade, nomeado para o cargo
de Comissário e Árbitro Superintendente da Demarcação das Fronteiras do Sul.
Teve como presidente o jesuíta Francisco de Faria e era secretariada por Manuel
Tavares de Siqueira e Sá.
Outra entidade do gênero viria a ser
criada na Bahia, em 1759, a Academia Brasílica dos Acadêmicos Renascidos,
iniciativa de José Mascarenhas Pacheco Pereira de Melo. Sua organização tinha
como modelo a Academia Real da História Portuguesa. Era constituída por
quarenta sócios.
HISTORIOGRAFIA
As pesquisas histórias constituíam o
principal objetivo das academias literárias baianas. Desde os primeiros tempos,
aliás, consoante prova a contribuição dos jesuítas e dos cronistas, sempre
houve no Brasil interesse pelas observações históricas. No século XVIII, mesmo
antes de serem criadas as associações literárias, não diminuía a curiosidade
pelos assuntos sobre história, diz Brasileiro Vilanova.
A Academia
dos Esquecidos teve como principal expoente o historiador Sebastião da
Rocha Pinta, único a deixar obra impressa versando sobre Uma história da América Portuguesa, desde o seu descobrimento até o ano
de 1724. E o fez, “em decadente estilo barroco”, segundo a crítica. Outro
destaque para a Academia dos Renascidos, que teria influenciado os
historiadores do século XVIII, cujas principais publicações foram: Dissertação
sobre a história eclesiástica do Brasil, de Gonçalo Soares da França; A
história militar do Brasil, de José Mirales; Desagravos do Brasil e glórias de
Pernambuco, de Benedito Domingos de Loreto, na qual descreve pormenorizadamente
a história da capitania de Pernambuco.
Outro destaque para a obra do
pernambucano Frei Antônio de Santa Maria Jaboatão, com os títulos: Novo orbe seráfico brasílico ou crônica dos
frades menores da província do Brasil. Autor ainda de um Catálogo genealógico, o frade
franciscano não se limitou a escrever a história dos seus companheiros de
Ordem, mas incluiu no seu livro, em estilo agradável, segundo a crítica,
interessantes observações sobre a vida colonial, sem esquecer informações
locais, lendas e tradições populares.
Descendente de bandeirantes, Pedro
Taques de Almeida Pais Leme é considerado o primeiro genealogista brasileiro,
autor de importante obra nesse campo do conhecimento: Nobiliarquia paulistana, história da capitania de São Vicente;
Informações sobre as minas de São Paulo; e Notícias históricas da expulsão dos
jesuítas de São Paulo. Produziu ainda
Nobiliarquia paulistana, em que descreve as principais famílias paulistas e
os mais notáveis feitos dos bandeirantes.
Outra obra que mereceu destaque, sob o título de Memórias para a história da capitania de São Vicente, do frei
Gaspar da Madre de Deus, publicada em 1797, adotando métodos objetivos e
positivos, segundo a crítica. Também, nessa mesma linha, resgistra-se a obra
Cultura e opulência do Brasil, de André João Andreoni (Lisboa – 1791), versando
sobre as minas existentes na Colônia, do processo de fabricação do açúcar, do
plantio e beneficiamento do fumo. Fornece ainda informações sobre os
emolumentos dados pelo Brasil a Portugal. A primeira edição de Cultura e opulência do Brasil foi
sequestrada por ordem de D. João-V, sob a alegação de que o livro divulgava
todos os segredos da Colônia brasileira aos estrangeiros.
POESIA LÍRICA
Houve nesse período uma abundante
produção de poesia lírica, na segunda metade do século XVIII, porém, sem
expressão literária, conforme a crítica. A grande preocupação estava voltada
para a rima, em prejuízo de outros recursos e técnicas literárias. Exceção para
a obra: Peregrino da américa, de
Nuno Marques Pereira. A obra, dedicada ao mestre de campo Manuel Nunes Viana,
famoso chefe dos emboabas, foi publicada em 1728 e já em 1730 merecia uma
segunda edição. Houve quem visse nessa obra o primeiro romance nacional.
Afirma José Brasileiro Vilanova que
os versos concebidos em toda a primeira metade do século XVIII não possuem
expressão artística nem valor literário. O soneto de Antônio Antunes de
Menezes, dedicado a Gomes Freire de Andrade, é uma prova desse estágio:
Vossa espera, senhor, se inculca
deste
Que parece exceder de Polo, a Polo
Na cabeça se observa o mesmo Apolo,
Neste peito se admira o mesmo Marte.
Três fatos
principais distinguem, na segunda metade do século XVIII, a vida literária no
Brasil. Um deles é a influência do enciclopedismo francês, através das duas
sociedades culturais fundadas no Rio de Janeiro: a Academia Científica e a Sociedade Literária, as quais, na
realidade, reuniam mais cientistas do que literatos, conforme os registros. Instalada
sob a proteção do Marquês do Lavradio, em 1772, dedicou-se aos estudos da
medicina, física, química, história natural e agricultura.
Refere-se também
José Brasileiro Vilanova ao arcadismo que teria sido iniciado por Claudio
Manuel da Costa, com grande influência nesse período. Ele escreveu sonetos,
epicédios, epístolas e fábulas em que se admira sobretudo a perfeição formal.
Árcade na linguagem, temática e na técnica. “De todos os representantes do
chamado Grupo Mineiro, Tomás Antônio Gonzaga foi “o mavioso Dirceu, o maior
lírico”. Suas obras completas foram editadas pelo Instituto Nacional do Livro.
A epopeia é a narração, em versos, de atos
heroicos, de caráter real ou imaginário. “Depois do sucesso obtido pelos
clássicos europeus, e da repercussão de Os
Lusíadas, em Portugal, os autores brasileiros, sempre sôfregos em imitar os
literatos portugueses, não poderiam deixar de explorar o aspecto épico da
poesia. Assim, houve manifestações típicas na Colônia, devendo ser assinalados
Basílio da Gama, com o Uruguai;
Durão, com o Caramuru; e Claudio
Manuel da Costa, com Vila Rica”.
“Caramuru –
diz Brasileiro Vilanova - é um poema heroico em dez cantos de oitava rima e
versos decassílabos, no qual, os episódios mais importantes, significativos,
são demasiadamente extensos, em face da imitação camoniana”.
Enquanto o Desertor das Letras, de Silva
Alvarenga, poema heroico-cômico, teve o objetivo de elogiar a reforma
universitária pombalina, as Cartas
Chilenas, de Gonzaga, inauguram a sátira política
brasileira. Foram publicadas, pela primeira vez, em número de sete, na revista
“Minerva Brasiliense”, em 1845.
POESIA POPULAR
Finalmente, não poderia faltar o braço da poesia popular brasileira, com
Domingos Caldas Barbosa, autor de cantigas, modinhas, cantatas etc.,
colecionadas com o título de Viola de
Lereno. Foi poeta popular, improvisador ao som da viola, com temáticas
brasileiras onde não faltava o sensualismo amoroso. Os versos de Caldas Barbosa
foram publicados em Lisboa e, 1798.
Nos
comentários finais de sua obra, José Brasileiro Vilanova diz: “É costume citar
alguns nomes de autores, nos fins do século XVIII, contando-se entre eles o
dicionarista Morais, Matias Aires e Teresa Margarida, considerada a primeira
romancista brasileira. De importância real, deve ser feita referência a Antônio
Morais e Silva, que foi o primeiro brasileiro a sistematizar um Dicionário da Língua Portuguesa. O
livro tem dois volumes e sua publicação verificou-se em Lisboa, em 1789. É um
verdadeiro documento da língua nacional no século XVIII. Em 1922, comemorativo
do primeiro centenário da Independência do Brasil, foi divulgada edição
fac-similar dessa obra”.
(Manoel Neto Teixeira é autor, dentre outras, da obra Garanhuns, Álbum do Novo Milênio
(1811-2016, e membro da Academia Pernambucana de Letras Jurídicas).





